quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Análise: dez observações sobre Bahia 2 (3)x(4) 1 O'Higgins


Por: Kléber Leal* | Especial para o Blog P. da Notícias

1 - ELIMINADO — O problema de desperdiçar muitas chances de gol, que vem perseguindo o Bahia nos últimos anos (e inclusive não permitiu que entrássemos direto na fase de grupos da Libertadores deste ano, já que isso aconteceu em vários jogos do Brasileirão do ano passado), voltou a acontecer nesta partida decisiva da segunda fase da competição continental e nos custou a eliminação precoce. Mesmo dando alguns vacilos na partida, poderíamos ter liquidado a fatura contra o O'Higgins durante os 90 minutos, pois criamos várias chances reais, mas não fizemos, tomamos um gol após abrirmos 2x0 e, nas penalidades máximas, desperdiçamos duas cobranças e agora estamos fora.

2 - Se você cria, cria e não faz, acaba tomando gol, pois qualquer vacilo pode ser fatal. No lance do gol do O'Higgins, Ademir tentou sair driblando e deu o contragolpe, sendo que a bola cruzada por eles para a conclusão em gol ainda passou por baixo das pernas de Juba.

3 - Os gols perdidos por Jean Lucas e William José no segundo tempo foram fatais e poderiam, se convertidos, decretar nossa classificação. O time chileno, que até já estava apelando para a violência quando o placar estava 2 a 0, acabou gostando do jogo e foi buscar o resultado que interessava para depois passar na “loteria” dos penais.

4 - Na disputa de pênaltis, eu não entendi nada quando vi Dell indo logo para uma das cobranças. Um garoto inexperiente, de apenas 17 anos, que pela primeira vez estava jogando pela Libertadores. A expressão tensa dele antes da cobrança já indicava que perderia. E não deu outra. Rogério alegou que ele queria bater, que teve bom desempenho nos treinamentos, que já cobrou penalidade na base da Seleção Brasileira. Acontece que treino é treino e jogo é jogo e jogar na seleção sub 17 é diferente de jogar um partida decisiva de Libertadores. Foi muita imprudência.

5 - O Bahia tem umas coisas que não dá pra entender: às vezes não coloca um garoto num jogo simples do Campeonato Baiano, em outras coloca para ser um dos batedores de penalidades numa Libertadores. Que critério é esse?

6 - A pressão é tão grande numa disputa de penalidades que historicamente grandes estrelas vêm a perder. Já aconteceu com Zico, Sócrates, Messi, Platini, dentre outros, e nessa partida nosso craque Éverton Ribeiro, que vinha sendo o melhor jogador em campo, acabou perdendo a cobrança decisiva que decretou nossa derrota. Ele não merecia isso.

7 - As alterações feitas por Rogério no segundo tempo, tirando dois jogadores que estavam bem (Caio Alexandre e Pulga), mantendo em campo dois que estavam mal (Roman e Jean Lucas) complicou o jogo pra gente. Nossa zaga também não esteve bem e depois do gol do O'Higgins a coisa degringolou. Kike, Dell e Everaldo, que entraram no decorrer do jogo, não somaram nada ao time. Acevedo foi o único que ajudou.

8 - O Bahia começou jogo a todo vapor e, no primeiro ataque, abriu o escore (aos 19 segundos), num lançamento de Jean Lucas para Éverton Ribeiro, que passou para Ademir, e este deu a assistência para William José brocar; o time chileno ficou apavorado e, nos primeiros dez minutos, praticamente não tocou na bola; o Esquadrão depois passou a cadenciar mais o jogo e, em dois vacilos de Gabriel Xavier, nosso adversário assustou, inclusive com um chute rente à trave; depois o Esquadrão retomou as rédeas, e Ademir deu um chute perigoso por cima; tivemos também um gol de cabeça de Pulga anulado corretamente (posição irregular) e, no lance seguinte, ele próprio foi empurrado na área (pênalti). William José cobrou, o goleiro defendeu parcialmente, mas ele completou para fazer nosso segundo gol.

9 - No primeiro lance da segunda etapa, Pulga teve uma grande chance e não converteu. Depois, no vacilo de Ademir, eles aproveitaram e fizeram o gol, diminuindo o placar, o que deixava a classificação indefinida. Na sequência, tivemos as chances desperdiçadas por Jean Lucas e William José. Nosso adversário cozinhou o jogo, teve até um outro bom contra-ataque, mas o placar acabou inalterado. Nos pênaltis venceram por 4x3.

10 - GRANDE PREJUÍZO — O prejuízo técnico e financeiro dessa eliminação foi terrível, pois, como saímos nessa fase da Libertadores, não vamos disputar sequer a Sul-Americana. Agora só temos o restante do Baianão, a Copa do Brasil e o Brasileirão. Nem o Nordestão estamos disputando. A preocupação nesse exato momento é superar essa grande frustração de ser eliminado por um time desconhecido numa Fonte Nova lotada (público de 45.689 pessoas) para que a parte emocional seja logo recuperada e não interfira nessa sequência da temporada. O lado positivo dessa saída precoce é que teremos menos jogos e teoricamente mais tempo para descansar e nos preparar melhor para as competições que restam. Vamos adiante!

*Kléber Leal é jornalista e torcedor do Bahia

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