Os réus acusados do assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete foram condenados pelo Tribunal do Júri, na noite desta terça-feira (14), em Salvador, após dois dias de julgamento no Fórum Ruy Barbosa. As penas chegam a mais de 40 anos de prisão para um dos envolvidos no crime, que teve grande repercussão nacional.
O júri popular condenou Arielson da Conceição Santos, apontado como executor, a 29 anos e nove meses de prisão. Já Marílio dos Santos, considerado mandante do assassinato, foi condenado a 40 anos, cinco meses e 22 dias. Mesmo com advogado constituído, ele segue foragido.
Ambos foram condenados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.
Outras três pessoas denunciadas por envolvimento no crime ainda aguardam julgamento. São elas Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último também apontado como possível mandante.
AAnistia Internacional avaliou a condenação como um avanço relevante, especialmente diante do cenário de violência contra defensores de direitos humanos no Brasil.
A entidade, no entanto, destacou a importância de que todos os envolvidos no caso sejam responsabilizados para que a resposta do Estado seja proporcional à gravidade do crime.
Liderança quilombola
Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, em 17 de agosto de 2023, dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Na ocasião, homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares reféns e executaram a líder com diversos disparos.
Reconhecida como uma das principais lideranças quilombolas da Bahia, Mãe Bernadete atuava na defesa de territórios tradicionais, no combate ao racismo e na luta por justiça pela morte do filho, assassinado em 2017 em circunstâncias semelhantes.
Mesmo sob ameaças, ela integrava o programa de proteção a defensores de direitos humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O caso ganhou repercussão nacional e levou à transferência do julgamento para Salvador, após decisão da Justiça que considerou necessário garantir a imparcialidade do júri.
A condenação ocorre quase três anos após o crime e é vista como um marco na busca por justiça, embora ainda haja expectativa pelo julgamento dos demais acusados.
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