segunda-feira, 16 de março de 2026

Análise: dez observações sobre Internacional 0x1 Bahia


Por: Kléber Leal* | Especial para o Blog P. da Notícias

1 - VISITANTE INDIGESTO —
De presa fácil fora de casa ano passado, o Bahia tornou-se em 2026 o visitante que ninguém quer enfrentar. Três jogos, três triunfos, jogando de forma competitiva, atacando sempre na boa, suportando pressões, sabendo sofrer, mostrando aplicação tática, superando dificuldades muitas vezes na raça, tendo também parcela de sorte. Enfim, reunindo todos os predicados necessários para se ter um aproveitamento alto fora de casa numa competição tão difícil quanto o Brasileirão. Desta vez, foi na Arena Beira Rio contra o Internacional de Porto Alegre, que tomou um belo gude preso.

2 - Com esse terceiro triunfo seguido longe dos nossos domínios, já igualamos, na quinta partida deste Brasileirão 2026, a quantidade de jogos em que fizemos três pontos fora de casa ano passado.

3 - A partida também acabou entrando para a história pois foi a primeira vez, pelo Brasileirão, que o Bahia bateu o Inter em Porto Alegre. Nem quando foi campeão brasileiro em 1988 tinha conseguido isso, pois, nas duas partidas finais daquela competição, vencemos na Fonte Nova e empatamos no antigo Beira-Rio. Também foi a primeira vez, como treinador, que Rogério Ceni venceu o Internacional no Rio Grande do Sul.

4 - O destino determinou que William José, que foi o responsável pela perda de dois pontos contra o time de Canabrava ao perder um pênalti no jogo passado, fizesse o gol deste triunfo contra o Inter. Futebol tem dessas coisas: um dia, o atleta é vilão e, no outro, é o herói.

5 - A comemoração de William José, colocando o dedo na frente do nariz, como estivesse mandando alguém calar a boca, se foi para algumas pessoas que o criticaram pelos últimos desempenhos, ele está completamente errado. As críticas foram justas e quem joga num time grande sabe que tem que conviver com as pressões. Seu erro no jogo passado, se não acontecesse, talvez hoje estivéssemos na liderança ou quase nela. O que você tem que fazer é procurar melhorar cada vez mais e marcar gols, pois, desta forma, as críticas, com certeza, vão se transformar em elogios.

6 - Ele não tem 100% da força física e explosão de Jean Lucas nem 100% da qualidade de passes e lançamentos de Caio Alexandre, mas tem um bom percentual dos dois. Estou falando de Erick, que ano passado, devido a uma contusão, só jogou poucas partidas no Brasileirão, mas este ano vem muito bem e, nessa partida contra o Inter, jogou muito, tanto defensiva quanto ofensivamente, e foi sem dúvida o melhor em campo, junto com Acevedo. Este, novamente como lateral-direito, marcou Bernabei na primeira etapa e Carbonero na segunda, que deram muito trabalho, e, no geral, foi muito bem. Até quando errou um corte de cabeça, o chute do Inter foi pra fora.

7 - Ronaldo foi seguro quando precisou e Mingo fez um grande jogo ao lado de Gabriel Xavier; Juba e Jean Lucas estiveram muito bem; Nestor e Pulga, razoáveis; William José, se não foi tão bem, estava no momento certo na hora de fazer o gol e, para o centroavante, isso é o mais importante; Kiki Olivera, apenas esforçado; Nestor foi improdutivo; Ademir, Sanabria e Del, que entraram depois, foram razoáveis.

8 - Nível técnico da partida não foi bom. Com uma postura adiantada, o Inter criou dificuldade ao Bahia no início do jogo e, pelo lado esquerdo, explorou muito a velocidade de Bernabei, que partiu pra cima de Acevedo, incomodando bastante. Com menos de um minuto, Bernabei deu o primeiro chute, mas a bola foi pra fora; um arremate de Carboneiro também nos assustou; o Bahia, a partir dos 13 minutos, começou a se soltar um pouco e teve um chute de Erick pra cima; depois Acevedo errou o corte de cabeça, Mateus Bahia rolou para Bernabei, que chutou com perigo; no lance seguinte, Borré virou, mas deu um chute pra cima; o Bahia respondeu abrindo o escore, numa triangulação entre Kike, Nestor e Erick, que invadiu a área, chutou, o zagueiro desviou e, na volta, William José empurrou para o gol; o Inter ficou desesperado e foi mais pra cima, mas o Esquadrão estava bem postado; no fim do primeiro tempo teve uma falta no lado da área que Bernabei cobrou e a bola passou perto.

9 - A baixa qualidade do jogo permaneceu no segundo tempo, que inclusive foi bastante truncado, com muitas faltas de lado a lado. Inter, aproveitando que o Bahia baixou mais as linhas, nos pressionou muito, mas suportamos bem. Ao receber passe de Nestor, Kiki chutou pra cima; num chute de Vitinho, Ronaldo fez boa defesa; Ademir, precipitado, desperdiçou um bom contra-ataque, com o goleiro e um zagueiro deles salvando quase dentro do gol; Bruno Henrique chutou, Mingo desviou e a bola foi pra fora (seria gol certo); depois ele deu outro chute para boa defesa de Ronaldo; numa cobrança de falta para o Inter, houve troca de passes de cabeça na área e Mercado manda para o gol, porém o lance foi invalidado corretamente devido a impedimento; Alerrandro, do Inter, chutou com perigo ao receber passe na área e acertou a trave em outro lance.

10 - BRAGANTINO — Estamos invictos no Brasileirão, mas sem vencer em casa, e isso precisa acontecer o quanto antes. Foram dois jogos e dois empates. Quarta-feira é contra o Bragantino, na Arena Fonte Nova, e precisamos fazer os três pontos para continuar nessa fase positiva na competição e com a confiança em alta para prosseguir nesse caminho.

*Kléber Leal é jornalista e torcedor do Bahia

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